quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Ousem Ser o Absoluto - Bidi




O que tu És não é um objetivo.
O que tu És não é um objetivo.
Definir um objetivo, uma finalidade, uma meta, 
se referirá sempre à pessoa. 
O que tu És não tem necessidade de ser descrito,
nem posto numa imagem, nem lembrado.
Senão, isso não é o que tu És.
Enquanto a consciência estiver inscrita 
numa pessoa, sem nenhuma reminiscência do que tu És,
ela está tributária das circunstâncias da pessoa,
tanto ao nível de uma busca de conhecimento de si,
como espiritual. É ilusório, uma ilusão, uma fraude.
A pessoa te fará sempre andar à volta, fazendo-te crer
que tu vais em linha reta, mas não há para onde ir,
nem à volta, nem em linha reta. 
O que tu És, É, de toda a Eternidade.
só a consciência da pessoa te faz crer que há 
uma escolha ou um objetivo. Eu sempre disse que 
o Absoluto não podia, em caso algum, ser um objetivo.
Como é que o que tu És poderia ser distante do que tu és? 
Só a pessoa crê nisso. 
A partir do instante em que defines um objetivo 
ou uma experiência passada, tu não és mais o que tu És.
Tu não tens que "avançar para" porque "avançar para" é já pôr 
uma distância, em relação à experiência, ou em relação a um desejo, 
ou em relação a uma realidade.
É claro que existe, no seio da consciência, 
a possibilidade de se viver sem forma.
Mas a consciência, como tu o dizes, está sempre aí:
isso se chama a Infinita Presença ou Última Presença.
Apreende bem que só o ponto de vista da personalidade te limita 
e confina, e te faz considerar o que foi vivido como um objetivo.
Enquanto tu definires um objetivo (em relação 
a uma experiência, seja ela a mais importante),
tu não estás no Instante Presente e não és o que tu És.
A partir do instante em que uma experiência aparece na consciência 
(qualquer que seja essa consciência), esta vai se aproveitar.
É por isso que Ser Absoluto põe fim a toda experiência.
O que não quer dizer que a experiência não seja mais
possível, mas que ela não tem mais razão de ser,
a partir do instante em que tu te tornaste, realmente,
o que tu És, de toda a Eternidade.
O olhar mudou, definitivamente.
Enquanto existir, na consciência, o sentimento de uma
memória, de uma experiência (mesmo a mais extraordinária
que seja), tu vives no passado.
Porque há um condicionamento que vem das tuas próprias
experiências e que vem alterar, realmente, 
a possibilidade de Ser o que tu És.
Nenhuma experiência se resume a um passado ou a um futuro.
Mesmo a experiência da Unidade, ou da Consciência Turyia,
não deve ser uma recordação, mas deve tender a
tornar-se a Permanência do que tu És.
A dinâmica da consciência, lembrem-se, será sempre 
a experiência, qualquer que seja a experiência. 
Além disso, ela serve-se disso: fazer-vos crer que a experiência terá, 
um dia, fim, para vos fazer, sempre, andar à volta.
A única forma de sair disso é lembrarem-se do que 
vocês eram antes de ser uma pessoa. 
Lembrarem-se de todas as pessoas que vocês foram, 
não serve para nada. Não há nada a mudar, senão o olhar.
Quando vocês apreenderem isso, vocês serão Absoluto,
sem nenhuma dúvida possível, sem nenhuma interrogação, 
sem nenhum questionamento, na felicidade
a mais Absoluta que pode ser. Mas deem-se conta: 
a pessoa não pode nunca estar na felicidade.
Quaisquer que sejam os prazeres, a procurar ou
encontrados, isso jamais dura. E vocês sabem-no.
E vocês persistem em procurar no campo 
do conhecido da vossa consciência. 
Ninguém lhes diz para fazer isso ou aquilo,
a não ser para mudar o ponto de vista.
Não é porque tu privas este saco de comida ou este saco mental, 
de comida ou de uma relação, que tu vais ser Absoluto.
Acreditar que mudando uma circunstância, qualquer que seja,
de sua vida, deste saco, prova simplesmente que vocês
estão identificados a este saco.
Mudar as regras do jogo sobre o palco do teatro,
mudar o cenário, não muda nada no teatro.
A refutação não é rejeitar filhos, marido ou o que
quer que seja. É tomar consciência do efêmero.
Deixem a cena se desenrolar.
Não é mudando de "eu" ou mudando de Si, que vocês vão mudar o olhar.
É simples, tão simples que o ego fará de tudo para não vê-lo 
e encontrar estratégias para tentar evitar este nada dele mesmo.
A refutação não é separar-se de. 
Destina-se a mostrar-lhes o fútil e o ilusório 
do que é efêmero, de tudo o que é passageiro.
Vocês não são isso: é apenas isso o que há
para apreender, para perceber, nada mais.
Não há nenhum lugar para onde ir, exceto extrair-se 
do "eu", da pessoa e do Si, isso é da ilusão.
Não há nada do que fugir, não há nada para cortar, 
nada para separar, exceto mudar de ponto de vista.
Quando vocês mudam de ponto de vista e de olhar,
vocês mudam alguma coisa na cena? Não.
Vocês querem a todo preço mudar a cena, o "eu".
Não se preocupem: o "eu" mudará pela Luz, 
o que quer que vocês pensem.
A sua estratégia não deve ser a de querer mudar as regras,
mas simplesmente de mudar de ponto de vista e de olhar.
Como mudar uma circunstância, uma situação, vai fazer
desaparecer a Ilusão? Isso é uma ilusão.
Vocês acham que vocês têm de ir de um ponto ao outro,
vocês acham que vocês devem mudar o cenário,
porque há coisas irritantes nesse cenário, quer isso
seja o marido, a mulher, ou o que quer que seja.
Mas vocês não compreenderam nada.
Vocês transpõem a culpa no outro. Qual outro?
Não há mais outro além de vocês.
Para isso, é preciso mudar o olhar, não mudar as coisas.
Deixem as coisas acontecerem, elas não precisam de vocês,
o que quer que vocês façam.
O princípio da refutação consiste simplesmente
em refutar o que é efêmero, como já tinha dito.
Fala com o teu ego e pergunta-lhe se ele é capaz 
de se manter além do Efêmero.
Que persistência é a sua, além daquilo que é nomeado a morte? 
O que resta dele? Capitular não é rejeitar.
O princípio da refutação, neste caso, aplica-se
exclusivamente à noção de Efêmero.
Seja qual for o ego, seja qual for o poder,
seja qual for o saco de pensamentos, 
esse desaparecerá, a um dado momento.
O ego só se mantém pelo princípio duma crença,
que é a persistência além do desaparecimento
do saco de pensamentos e do saco de comida.
Logo que isto é aceito pela consciência, o ego não pode,
cada vez menos, interferir na progressão da consciência, 
ela mesma, para chegar, à a-consciência.
Basta simplesmente recordar-se, 
para onde apontar o seu nariz, é efêmero.
O ego não pode desaparecer enquanto os sacos estiverem aí.
É simplesmente esta mudança de olhar e de ponto de vista,
que não tem nada a ver com uma compreensão 
ou uma aceitação intelectual mas bem, realmente, o que isso significa.
Isso depende de onde, tu, te colocas. Colocas-te no seio do ego?
Recorda-te que a característica essencial do ego
é este ponto de vista efêmero que se crê Eterno.
A partir do momento em que a refutação e a consciência
identificar esta noção e este princípio de efêmero,
então isso deixa lugar, na totalidade, àquilo que tu És.
Toda identificação àquilo que é efêmero, o que for 
(seja no seio duma relação, duma profissão, duma interação social), 
é efêmero. Aceitar isso não é uma restrição nem uma negação, 
mas participa, efetivamente, do princípio da refutação.
É o mundo, que não é mais que uma projeção,
uma excreção do mental. Não existe, por princípio,
senão pela presença da interação entre ilusões.
Não mais aderir ao efêmero não é rejeitá-lo: não há nada a rejeitar.
A refutação não é uma rejeição, mas uma compreensão
(real, total, inelutável) da diferença entre efêmero e Eterno.
Esquecer-se a si mesmo é a melhor forma de mudar de ponto de vista
É simplesmente deixar esse saco agir, como tal,
e mudar de olhar: de o ver agir. Isso é o verdadeiro desapego.
Desapego mesmo em relação a uma obra porque, 
seja qual for a obra, se há este desapego,
seja se há ego e há desinteresse, seja se não há ego 
e a obra se cria de qualquer forma 
(pelo gênio ou pelo dom, seja qual for).
É a implicação no seio da ilusão, de apropriação
de sua própria obra como continuidade 
duma personalidade, que mantém os laços.
Falta-vos, como já foi dito, desapegarem-se do fruto das vossas ações.
Isso não significa não agir, mas estar lúcido sobre essa atividade.
Esquecer-se, não é mais colocar-se no interior 
da excrescência do teu saco.
Para tanto, a excrescência e o saco não desaparecem
mas é a consciência, num primeiro momento,
que passa do limitado à Infinita Presença, que permite 
(mais facilmente, eu direi) o estado Absoluto: Parabrahman.
Enquanto estiverem apegados a uma noção de posse,
a uma noção de predação, como diz o Comandante,
vocês não podem ser Libertados.
Como ele disse, aquilo que possuíres, vos possuirá,
seja o que for que possuírem.
Enquanto vocês possuírem seja o que for, relativo à
vossa identidade, que é efêmera, vocês se enganam.
Enquanto vocês acreditarem que têm um caminho a percorrer,
vocês enganam-se a si próprios.
Acreditar que há um caminho, é já colocar uma distância.
É inscrever uma meta no efêmero da vossa vida.
Aquilo que vocês São não precisa de meta, não precisa de caminho, 
mas simplesmente de ser reconhecido. Aí está a refutação.
Nunca vos foi pedido (salvo para o ego)
abandonar fosse o que fosse que não vocês mesmos.
Isso é o que permite a Infinita Presença 
e desvencilhar-se de tudo o que é ilusório e efêmero, 
como elemento que os mantém dentro duma ilusão.
É o ego que vos vai fazer acreditar que não podem mais
possuir um objeto ou uma pessoa, e que cria o 
sentimento de falta ou medo da falta.
Quando vocês são o que São, isso não pode surgir, 
nem mesmo aflorar. Isso é o verdadeiro desapego 
e não naquele que vai refugiar-se numa gruta.
Ele estará ainda mais apegado que os outros: à sua gruta. É um erro.
Quando você está aí, sem nada mais, quando, unicamente, há
essa Paz e essa Beatitude, sem visão, sem meditação, sem
percepção, então, nesse momento, há a Infinita Presença.
Mas não se pode aproximar do Absoluto: ele É ou não.
A grande diferença, entre a Infinita Presença e o Absoluto com forma, 
é que, na Infinita Presença, há oscilações vividas como desagradáveis.
O Absoluto com forma passa de um estado a outro, 
sem a menor dificuldade.
Como eu dizia, desde o instante em que tu 
não compreendes mais, desde o instante em que tu 
não sabes mais ao que te pendurares, desde que o mental 
não encontre mais explicação, então tu Estás lá.
É muito simples: a consciência é ávida por percepções, 
por experiências, por identidade, por união, por Unidade,
como por divisão e separação.
O que tu És é independente do jogo da consciência.
Se, em algum momento, a consciência desaparece, 
não há mais identidade, mais pessoa, mais ator, mais expectador. 
É isso o que tu És.
A Infinita Presença e Última Presença são o que se pode chamar, 
do ponto de vista da Unidade, do Si, como um
momento de basculamento, onde a consciência se prepara 
para diluir-se e desaparecer ela própria.
O Absoluto vos desindentifica dum corpo, dum mental,
duma identidade, dum mundo.
Mas este Absoluto com forma sabe que este corpo 
deve viver e conduzir suas experiências, 
mas não é afetado, de nenhuma forma. 
Querer apropriar-se do que tu És, é impossível.
Querer compreender o que tu És, é ainda mais impossível.
O Absoluto é a a-consciência. 
É por isso que trouxe o melhor exemplo: 
é o momento em que há o sono sem sonho.


.
TEXTO TRANSCRITO DO VÍDEO POR LYS ELSKER
_________________________________________________
Excertos das mensagens de BIDI - A.D.
05/09/2012 - 2a
17/09/2012 - 1a
05/10/2012
03/11/2012
Traduções do blog MINHA MESTRIA
-------------------------------------------------------------------

Colaboração Lys Elsker

Um comentário:

  1. BIDI, sempre BIDI. Suas palavras são indeléveis, marcando nossos Corações, à ferro quente, com a Verdade das Chamas Eternas. Não me aperreio jamais em assistir esse vídeo, lendo atentamente cada sentença, chispas da Verdade. Rendo Graças.

    ResponderExcluir